Muitos dos nossos podadores Vêem nesta prática apenas uma finalidade estética, uma questão elementar de decência. Ela torna a árvore mais apresentável e graciosa, domestica a ramaria revolta, dá à planta o ar inocente de criança bem comportada, inveja dos vizinhos e dos amigos. Esquecem-se, assim os objectivos fisiológicos da poda, os únicos que interessam à economia da exploração fruteira.
Palavras do mestre Vieira da Natividade. Segue-se uma base geral dos fins das podas das fruteiras. Há espécies que têm as suas particularidades.
- Pela poda pode-se contrariar a frutificação exagerada. Os frutos excessivos seriam maus, pequenos, de fraco valor comercial e, a árvore seria prematuramente esgotada.
- A intensidade da poda deve estar na razão directa da potencialidade frutífera e na inversa do vigos da árvore.1
- Deve procurar-se que o esqueleto, ou armação, da árvorepossa, mecanicamente, suportar o peso da ramaria e frutos.
- Com a poda deve procurar-se a formação e renovação dos orgãos produtivos que estejam envelhecidos.
- Não há regras fixas e imutáveis, nem leis absolutas que no ditem o caminho a seguir em todos os caso, ou exemplares que nos apareçam.
- A poda não é uma operação simplesmente mecânica e, o podador, não pode ser uma máquina irracional. É indispensável saber ver, observar, tirar conclusões e, conhecer o meio e a árvore.
- Nas árvores que frutificam em ramos mistos é necessário provocar todos os anos, a formação de ramos novos, pois estes só frutificam uma vez na vida.
- As podas exageradas são, quase sempre, muito prejudiciais.
- Esta prática é uma operação delicada e, por esse motivo, exige o mínimo de conhecimentos e bom senso.
- Os cortes devem ficar lisos, inclinados e um pouco acima do último gomo que se pretende conservar. O bordo inferior do corte deve ficar uns três centímetros acima do lado oposto ao do último gomo.
- Uma poda bem feita beneficia a árvore mas, quando mal feita, provoca a sua morte prematura.
- Os atarraques em grande número e repetidos, atrasam o início da frutificação.
- As podas violentas da parte aérea limitam o crescimento das raízes.
- As árvores podadas resistem melhor à seca, por terem a superfície aérea — de evaporação e transpiração — reduzida.
- A forma equilibrada da copa facilita a circulação da seiva e frutificação
- A intensidade da poda deve ser função da variedade do cavalo (planta que suporta o enxerto), do solo, do clima, da idade e estado doentio da árvore.
- Nas regiões muito ventosas, a copa deve ser menos volumosa e o fuste (tronco) mais curto.
- Nos solos e climas favoráveis à frutificação, as podas devem ser mais longas.
- As podas em feitas facilitam o trabalho da monda dos frutos por a árvore ficar com menos olhos.
- Na poda, deve apreciar-se a simetria mas, esta não é o fim principal e, em certos casos, terá de ser contrariada.
- O gomo terminal dos ramos que constituem o esqueleto da copa, deve ficar virado para fora.
- Os cortes grandes que tenham que ser feitos com serrote, devem ser alisados com a navalha bem afiada e, possivelmente, recobertos com um unguento2.
- As grandes feridas são portas abertas por onde podem entrar agentes de várias doenças.
Manual do Podador 8ª. Edição. Porto: Quinzenário Agrícola “O Lavrador”, 1963.
Continua em Fins das podas das fruteiras (segunda parte).
1 Natividade, Vieira da. Poda de Fruteiras.
2 Hoje em dia há autores que defendem que o corte deve ficar ao ar.
Fins das podas das fruteiras (primeira parte)
Palavras do mestre Vieira da Natividade. Segue-se uma base geral dos fins das podas das fruteiras. Há espécies que têm as suas particularidades.
Manual do Podador 8ª. Edição. Porto: Quinzenário Agrícola “O Lavrador”, 1963.
Continua em Fins das podas das fruteiras (segunda parte).
1 Natividade, Vieira da. Poda de Fruteiras.
2 Hoje em dia há autores que defendem que o corte deve ficar ao ar.
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