Categoria: Chronica Hortícola

A reordenação das revistas

Revistas

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Mais um projecto para um dia de chuva. Tenho por aqui bastantes revistas, não só as que comprava regularmente como a Gardener’s World, Gardens, The English Garden ou, a preferida, Gardens Illustrated, como muitas outras que ou me apareceram à frente, ou encomendei pela internet, ou alguém me trouxe exemplares de um país distante.
A minha tendência é tê-las ordenadas por título e número (ano e mês) e a minha parte do cérebro que repele o desalinho, é assim que gosta. Mas ultimamente tenho vindo a pensar que no caso de revistas de jardinagem, uma actividade cíclica por natureza, faz mais sentido ordená-las por mês.
Ou seja, todas as que tenho de Janeiro todas juntas, independentemente da colecção, ordenadas por título e ano; as de Fevereiro todas juntas e assim sucessivamente, incluindo as revista em idiomas que nem compreendo, como o holandês ou japonês.
E assim fiz. Na prateleira não gosto tanto, os meus arquivadores “Gardens Illustrated” deixaram de ter lá os exemplares da revista e albergam uma aparente desordem, mas para a ler e reler, para as consultar na época em que preciso, é muito melhor. Revistas que não folheava provavelmente desde que as comprei, voltaram a ter uma nova vida e isso é bom.

Ainda o ácido na compostagem

Limão

Em tudo o que li sobre compostagem, em lado nenhum encontrei sustentação científica para aquilo que chamo um mito que é os restos dos citrinos acidificarem o composto. A única coisa que sei ter esse efeito são os restos de coníferas. No entanto, o senhor Monty Don num artigo recente para a Gardener’s World, diz que evita restos de citrinos por demorarem muito a degradarem-se e por serem ácidos o que “reduz a actividade das minhocas”. Não vou deixar de colocar as cascas dos citrinos na pilha, que nas épocas de laranjas são imensas e seria um desperdício deitar fora, mas faz algum sentido o que Monty Don diz. O ácido funciona como conservante e de facto talvez actue como repelente para as minhocas. No entanto, eu diria que os citrinos ao apodrecer não se mantêm ácidos durante muito tempo e a verdade é que se há bastante acidez nos limões, nas laranjas isso nem é inteiramente verdade, colocadas no compostor, desaparecem num ápice.

Actualizações

A Chronica Hortícola anterior, “A importância do jardim da frente” foi actualizada com uma magnífica ilustração de Pedro Burgos. Inaugura assim aquilo que eu espero vir a tornar-se um hábito: A utilização da ilustração em alguns dos textos. A ilustração editorial tem vindo a perder terreno neste país de grandes ilustradores, o que é uma pena porque é uma forma de comunicação muito especial, idiossincrática e rápida, presta-se a interpretações e a questões de gosto de uma forma que a fotografia não consegue.

A importância do jardim da frente

A importância do jardim da frente
© 2016 Pedro Burgos.

Peter Seabrock considera os jardins da frente absolutamente cruciais, logo à partida por razões sociais. Se estamos lá fora na frente a tratar do jardim, vemos os vizinhos e outras pessoas, e temos oportunidade de as conhecer. As plantas mesmo num pequeno jardim da frente, oferecem abrigo para insectos e pássaros. Não precisa de ser nada muito complicado, algum solo, algumas plantas, uns vasos grandes e uma pequena árvore; talvez uma sebe, muitas flores e muita fragância o que sem dúvida nos alegrará a vida e a de muitos transeuntes. Além disso, precisamos de solo que absorva a água da chuva e ajude a drenar o excesso.
Em termos de segurança que nos dias de hoje é uma preocupação a ter em conta, podemos ter um jardim com caminhos com gravilha ruidosa, plantas espinhosas estrategicamente colocadas e luz com sensores de movimento. O tipo de vedação que vemos agora por todo o lado — alta e opaca —, na minha opinião é contraproducente. Não só não impede que os meliantes nos invadam o jardim e a casa, como depois de o fazerem ninguém os vê da rua e podem circular livremente para as malfeitorias que lhes apetecer. Essas vedações podem impedir olhares curiosos, mas também nos isolam da nossa rua e nos aprisionam dentro da nossa própria casa.

Razões para cultivarmos os nossos próprios alimentos

Raramente compensa economicamente. Quase toda a gente ganha numa hora o suficiente para comprar fruta e vegetais para toda a semana. Pode compensar para algumas famílias de baixo rendimento, mas para a maior parte de nós, não compensa. Portanto, não o fazemos pelo dinheiro.

Horta
Horta com feijão, favas, ervilhas, alface, entre outras coisas.

Frescura

A fruta e os vegetais colhidos na nossa horta são o que há de mais fresco. Não há nada de comparável.

Confiança

Sabemos exactamente como foram criados os alimentos. Apesar de podermos confiar noutros horticultores e em esquemas de certificação biológica, os nossos próprios métodos são para nós os mais certos.

Variedade

Cultivar é também um incentivo para comer mais alimentos frescos. Podemos cultivar o que mais gostamos e até variedades que há muito desapareceram do circuito comercial.

Exercício

Exceptuando os custos e ser sinal de uma vida sedentária, não há nada contra fazer exercício por fazer e ir até ao ginásio ou à piscina. Mas o trabalho ao ar livre, por vezes árduo, é insubstituível.

Comunidade

Além de melhorar a nossa vida individualmente, a jardinagem pode ajudar a construir a nossa comunidade. É pena em Portugal não se verem muitas hortas comunitárias (está a mudar muito, mas pelas razões erradas) e também nas escolas.

Espiritualidade

Cultivar frutas e vegetais é o único contacto que muitos de nós tem com a Terra. E somos participantes no ciclo da vida. O ambiente deixa de ser uma abstração quando trabalhamos o solo e ele se desfaz nas nossas mãos.

Futuro

Temos a satisfação de estar a fazer algo concreto e positivo para o futuro do nosso planeta. Muitas das nossas acções ecológicas tratam de não fazer algo: Não voar, não andar de automóvel, não comer tanta carne… Jardinar é algo que podemos fazer.

Pelas revistas inglesas

Um prazer que apenas é traído pelo tempo disponível, é receber revistas pelo correio e lê-las calmamente em busca das últimas novidades do jardim e da horta. As melhores são as inglesas e dessas, a que mais gosto é a Garden’s Illustrated.

Pela revista The Garden da RHS, ficamos a saber que uma empresa japonesa iniciou a comercialização da Rosa ‘Suntori applause’, uma rosa azul geneticamente modificada. Significa 20 anos de pesquisa que de alguma forma falhou em entusiasmar-me.

A Gardens Illustrated de Janeiro de 2010 diz-nos que a Puya raimondii que cresce naturalmente no Perú e na Bolívia, apenas produz sementes uma vez em 80 anos. Encontra-se hoje ameaçada pelo excesso de pastoreio.

Uma boa ferramenta de jardim passa de geração em geração. A Bulldog Tools produz há 230 anos ferramentas de forma artesanal em Lancashire (Grã-Bretanha). A qualidade e valores hoje fora de moda, mantêm esta empresa activa. O popular jardineiro Alan Titchmarsh dá o nome à sua própria linha de ferramentas. Uma interessante reportagem na revista The English Garden de Dezembro de 2010.

Links de interesse

The Great Dixter
Suntory Blue Rose
A Rosa Azul na BBC
Bulldog Tools