Etiqueta: número 5

Como testar a viabilidade de sementes antigas

É inevitável, as sementes acumulam-se. Ou porque temos o hábito de as recolher e conservar, ou porque não resistimos a um pequeno pacote de futuras maravilhas botânicas, o certo é que há sementes que vão ficando velhas e com a idade, as probabilidades de germinação diminuem.

Precisamos de 10 sementes de cada variedade a testar porque assim é fácil determinar a percentagem viável num grupo (por exemplo se germinarem três, a viabilidade é de 30%). Colocamos as sementes numa folha húmida de papel de cozinha, a folha num prato, cobrimos com película aderente e colocamos num local quente em casa. Temos apenas de controlar se o papel se mantém húmido durante os 15 dias do teste.
O tempo de germinação varia bastante com as espécies, mas ao fim de 15 dias a maior parte deverá ter germinado. Eu utilizo esta técnica especialmente para os vegetais, porque se for para todo o tipo de plantas, abre-se todo um leque de variáveis muitas das quais eventualmente desconhecidas. Há plantas que são de difícil germinação de qualquer forma e uma pequena percentagem de viabilidade não quer dizer que as sementes não estejam boas. Convém ter algum conhecimento sobre os hábitos das sementes a testar.

Links de interesse

Faculdade germinativa das sementes de algumas plantas hortenses.
How to Test the Germination Rate of Your Old Seeds (You Grow Girl).

Carpetes na horticultura biológica: Não

A utilização de carpetes, tapetes e alcatifas na cobertura do solo para evitar o aparecimento ou abafar ervas daninhas, chegou a ser aconselhada como uma alternativa aos químicos. Entretanto, chegou-se à conclusão que estes materiais são na sua essência químicos e libertam para o solo um sem número de subtâncias nocivas.
Passaram a ser indicadas apenas carpetes de fibras naturais, mas segundo a revista The Organic Way No. 190, hoje em dia, até essas são tratadas com químicos anti-traça e retardantes de combustão. Ao serem deixadas no solo, inicia-se o processo natural de decomposição e todos esses químicos acabam na terra. Assim sendo, nenhum tipo de carpete é apropriado para utilizar na horta ou no jardim.
As alternativas são cartão sobre folhas de jornal, tela supressora de daninhas ou cobertura natural (palha por exemplo).

Tomate, fruto ou vegetal?

Tomate 'Alicante', 'Cereja', 'Chucha' e 'Coração de Boi'.

Tomate ‘Alicante’, ‘Cereja’, ‘Chucha’ e ‘Coração de Boi’.

É aparentemente uma questão importante, tendo chegado até ao Supremo Tribunal nos EUA, em 1893 (Nix v. Hedden). Essa alta instância decidiu que o tomate é um fruto e um vegetal.
Em termos botânicos, frutos são quaisquer estruturas das angiospermas que contêm sementes. Derivam do ovário da flor (Wikipedia). No sentido culinário, um fruto é uma parte comestível e doce da planta, habitualmente em volta das sementes. Por outro lado, um vegetal refere-se a uma parte saborosa da planta, mas não tão doce como os frutos (não existe “vegetal” em botânica).

Ou seja, em termos botânicos, o tomate é o fruto do tomateiro, mas não é suficientemente doce para ser considerado como tal na cozinha, portanto, como alimento é um vegetal.
E é muito comum. As abóboras, pepinos, pimentos… são todos frutos que passam por vegetais. O figo passa por fruto e é na verdade um sicónio — é a designação dada em botânica aos pseudofrutos constituídos por uma uma inflorescência ou uma infrutescência composta, de receptáculo carnudo e flores ou frutos inclusos. A palavra sicónio tem origem na expressão figo em grego (sykon).

Escaravelho-do-alecrim

Este escaravelho apareceu este ano nas alfazemas e danificou principalmente as Lavandula dentata. Contactei a RHS para saber o que era e o que fazer. Responde o Dr. Andrew Salisbury, entomologista.

Escaravelho-do-alecrim, Chrysolina americana
Escaravelho-do-alecrim, Chrysolina americana a atacar uma alfazema.

Trata-se do Escaravelho-do-alecrim1, Chrysolina americana. É originário da zona mediterrânica e nativo em Portugal. Nos últimos 15 anos também se estabeleceu em algumas partes de Inglaterra. Os adultos têm cerca de 6-7mm, de cor verde-metálica com riscas púrpuras no tórax e asas. As larvas são acinzentadas-brancas, com cerca de 8mm.
Tanto o escaravelho como as larvas alimentam-se da folhagem e causam estragos consideráveis se estiverem presentes em número suficiente. Outras plantas de que alimenta são o alecrim, tomilho e salva.
Habitualmente passa os meses de Verão como adulto sem se alimentar, nas suas plantas hospedeiras. No fim do Verão ou início do Outono torna-se novamente activo recomeçando a alimentar-se das folhas. Acasalam e colocam os ovos na folhagem que eclodem após dez dias em larvas que se podem observar em qualquer altura desde o início do Outono até ao início da Primavera. Por vezes é possível encontrar escaravelhos na planta durante o Inverno. Quando as larvam acabam a sua alimentação, vão para o solo para pupar.
É possível controlar esta peste procurando os adultos e as larvas e removendo-os à mão, tratando-se também do único método biológico possível.

Escaravelho-do-alecrim, Chrysolina americana
Escaravelho-do-alecrim, Chrysolina americana. Pode-se observar perfeitamente o dano causado numa folha de alfazema.

De notar que os métodos químicos são particularmente desaconselhados pois este escaravelho alimenta-se de plantas que atraem muitos insectos benéficos e no caso do alecrim, tomilho e salva, são utilizadas na culinária.

  1. Tradução literal que não sei se corresponde ao nome português. []

Clívia, Clivia miniata

É uma perene dos bosques da África do Sul, que se encontra frequentemente ladeando ribeiros. Cultiva-se pelas suas folhas verdes que atingem 60cm e flores cor-de-laranja, que florescem em umbela com caules firmes em grupos que chegam a ter 20 flores, com forma de tunelar a trompete.
Praticamente indestrutível, é excelente como planta de interior ou de exterior, em zonas sem gelo ou geada.

Clívia, Clivia miniata
Clívia a florir no fim da Primavera.

Cultivo

No interior utilizar um substrato universal ao qual se adiciona terriço de folhas e gravilha fina, num local com luz filtrada ou indirecta, mas brilhante. Na época de crescimento deve-se regar livremente, aplicando um fertilizante semanalmente até que os botões se formem. No Inverno manter praticamente seca.
No exterior, cultivar num solo rico em húmus, fértil e bem drenado em sombra parcial. As clívias ressentem a perturbação das raízes e precisam de restrição das raízes para encorajar a floração.

Multiplicação

Semear a 16º-21ºC, mal as sementes estejas maduras. Por divisão, preferencialmente na Primavera depois da floração, em alternativa no fim do Inverno. A seiva pode irritar a pele, deve-se usar luvas.

Pragas e Doenças

As cochonilhas podem ser um problema.

Dimensões

45cm de altura; 30cm de largura.

Época de floração

Primavera.

Luz

Meia sombra.

Água

Regar livremente na época de crescimento.

Solo

Rico em húmus, fértil e bem drenado.

Links de interesse

Clivia (Nova Zelândia)
Clivia Society
American Clivia Society
North American Clivia Society